Videolaparascopia

 

A endoscopia cirúrgica teve sua origem na história antiga, onde já se tem relatos da visualização de órgãos internos no Talmud babilônico. A vídeolaparoscopia teve seu início no século passado, com o sueco Jacobens em 1914. Entretanto, o interesse e a aplicação mais ampla da vídeolaparoscopia ocorreram na década de 80. De fato, Kurt Semm, no início dos anos 80, publicou os seus primeiros resultados com a apendicectomia por vídeolaparoscopia. Em 1987, Mouret, cirurgião Francês, descreveu a técnica de colecistectomia por vídeolaparoscopia.

Em 1988, Dubois, também cirurgião Francês, passou a utilizar e desenvolveu a nova técnica divulgando-a e publicando os seus resultados em 1989. Com esta publicação inicial houve uma verdadeira revolução na prática cirúrgica, de modo a criar uma força vetora para a nova tática de abordagem cirúrgica, expandindo-se a sua utilização para todos os campos da cirurgia geral. Os mais entusiastas com a nova tática de abordagem chegaram a profetizar no início dos anos 90 que, após 5 anos, a cirurgia geral com abordagem convencional já teria sido relegada ao histórico da medicina. Passados 20 anos de experiência mundial com a nova metodologia, realizamos de rotina, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, Brasil, por vídeolaparoscopia cirurgias de:

- retirada da vesícula biliar (colecistectomia videolaparoscópica)
- retirada do baço (esplenectomia videolaparoscópica)
- retirada do intestino grosso e fino (colectomia e enterectomia videolaparoscópica)
- retirada de parte do fígado (hepatectomia videolaparoscópica)
- retirada de parte do pâncreas (pancreatectomia videolaparoscópica)
- retirada de parte ou totalidade do estômago (gastrectomia videolaparoscópica)
- correção de hérnia de hiato ( hernioplastia hiatal videolaparoscópica)
- cirurgia para tratamento da obesidade ( gastroplastia videolaparoscópica)

Ao paciente cabe uma ponderação crítica sobre a verdadeira aplicabilidade desta tática.

1. É importante para a operação em questão evitar a laparotomia (cirurgia aberta)?
2. Quais as conseqüências para o paciente, em se evitando a laparotomia (cirurgia aberta)?
3. A operação em questão pode ser feita pela abordagem vídeoendoscópica com a mesma técnica e perfeição que quando realizada pela via convencional?
4. Está o cirurgião preparado para a realização vídeolaparoscópica da operação em questão?
5. O cirurgião tem condições de tratar as iatrogenias (complicações) que podem ocorrer?

Dentre as vantagens da videolaparoscopia destacamos: menor tempo de internação hospitalar, menos dor pós-operatória, menor sangramento, recuperação mais rápida as atividades rotineiras, alta hospitalar mais precoce e melhor aspecto estético.

Nos últimos anos também temos realizado cirurgias com o auxílio de técnica robótica (robôs auxiliando o cirurgião) e cirurgia laparoscópica por orifício único trazendo ainda o benefício de melhor estética especialmente para mulheres preocupadas com o aspecto do seu abdomen.

Nesta técnica também denominada "scarless surgery" (cirurgia sem cicatriz), pode-se realizar a retirada da vesícula biliar sem incisões visíveis o que permite um abdomen sem cicatriz visível no pós-operatório.

Com todas esta considerações, desejamos salientar que todo o paciente a ser operado pela técnica videoendoscópica deve ser informado dos riscos, vantagens e desvantagens do procedimento. O paciente deve, ainda, conhecer as alternativas e os resultados da cirurgia videoendoscópica e da cirurgia convencional, antes de tomar a decisão pelo novo método. É nosso dever como médico não aceitar pressões da indústria ou da mídia para utilizar este ou aquele método que poderia vir a causar malefício à saúde de nossos pacientes. O nosso compromisso como cirurgiões é com a boa cirurgia, segura e eficiente, independendo da tática de abordagem, aberta ou laparoscópica.

Dr. Vladimir Schraibman

Graduado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo, com mestrado e doutorado em Ciências Médicas pelo Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina, Dr. Vladimir Schraibman é especialista em cirurgia geral, gastrocirurgia e orientador de Cirurgias Robóticas da área de Cirurgia Geral e do Aparelho Digestivo do Hospital Israelita Albert Einstein (Proctor Intuitive Robotic System) e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Videolaparoscópica (Sobracil). É médico colaborador do Setor de Fígado, Pâncreas e Vias Biliares do Departamento de Cirurgia da Universidade Federal de São Paulo, além de integrar o corpo clínico do Hospital Albert Einstein. Tem diversos artigos publicados em revistas e jornais científicos do Brasil e do exterior, além de intensa participação em congressos nacionais e internacionais.


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